Este texto é uma explicação bem simplificada do que são os Estudos Culturais. Foi baseado nas obras de Richard Johnson (1986-87) “What is cultural studies anyway?”; Ana Carolina Escosteguy (1998) “Uma introdução aos Estudos Culturais” e Norma Schulman (1993) “Conditions of their own making: An intellectual history of the centre for contemporary cultural studies at the university of Birmingham”.

Os estudos culturais surgem na Inglaterra com o interesse de destacar os vínculos entre investigação e formação social e seus contextos de desenvolvimento.

Naturalmente os estudos culturais possuem uma visão política, de construção de um projeto político, e uma visão teórica, com intenção de construir um campo de estudos.

Sob o primeiro ponto de vista, os estudos culturais são vistos com o mesmo significado de “correção política”, entendido como a “política cultural dos vários movimentos sociais da época de seu surgimento”. Sob o ponto de vista teórico, eles representam a não satisfação “com os limites de algumas disciplinas” e propõem a interdisciplinaridade.

Isso significa dizer que, em si, os estudos culturais não são uma disciplina, mas uma área de interação das diferentes matérias, onde o intuito é estudar  os aspectos culturais da sociedade. Assim, as disciplinas se interseccionam afim de compreender as questões culturais da sociedade contemporânea.

Disso decorre que preocupações e métodos venham a convergir, propiciando melhor entendimento de “fenômenos e relação que não são acessíveis” por disciplinas estudadas separadamente.

Em princípio, os estudos culturais se preocupam em estudar os produtos da cultura popular e das mídias de massa que refletem os aspectos da cultura contemporânea. Num momento mais tardio, eles se ocuparam de uma visão metodológica com ênfase no trabalho qualitativo. Essa escolha tem relação com o interesse em estudar os valores e sentidos vividos (e definidos) pelos atores sociais. O foco é na produção de sentido e o ponto de partida recai sobre as estruturas sociais e sobre o contexto histórico, no sentido de serem eles fatores fundamentais para se entender qual é a relevância dos meios massivos (sobre as pessoas) no deslocamento de significado de cultura (na tradição elitista) para práticas populares.

Eles vão atribuir à cultura uma função onde as “determinações da esfera econômica” não conseguem explica-la totalmente. Ou seja, classe econômico-social não é suficiente para explicar os aspectos culturais de uma sociedade. A cultura teria uma influência e sofreria “consequências das relações político-econômicas”.

Outra atribuição diz respeito à ideologia. A ideologia é vista como fornecedora de estruturas de entendimento, pelas quais as pessoas “interpretam, dão sentido, experienciam e vivem as condições materiais que elas próprias se encontram.”

Assim os estudos culturais procuram entender os “produtos culturais como agentes da reprodução social, potencializando sua natureza complexa, dinâmica e ativa. São estudadas as estruturas e os processos pelos quais os meios de comunicação de massa sustentam e reproduzem a estabilidade social e cultura.

Créditos

Richard Johnson. “What is cultural studies anyway?”. Social Text, 16, 1986-87: pp. 38-80.
Ana Carolina Escosteguy. “Uma introdução aos Estudos Culturais”. FAMECOS – Mídia, cultura e tecnologia, 9, 1998.
Norma Schulman. “Conditions of their Own Making: An Intellectual History of the Centre for Contemporary Cultural Studies at the University of Birmingham”. Canadian Journal of Communication, 18(1), 1993. (Internet: http://www.cjc-online.ca/BackIssues/18.1/schulman.html).
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